Todo dia, chega a hora de apagar a luz. Aquele momento em que os olhos castigados pelo computador acabam exigindo que o escuro predomine. Todo dia tem a hora que o corpo exige que se apague. Que os braços, as pernas e todo o cansaço do dia fique apagados. E desse cansaço é o que mais me assunta. Não há como definir se ele apagará nossa alma.
É sempre preciso saber que tem horas que eu preciso desligar. E ultimamente, inclusive, tenho desligado na hora errada. É a hora da bobeira. É a hora do dia em que eu deveria estar aqui mas estou longe. Não tão longe assim. Não tão perto. Apenas não estou aqui. E nessas horas que eu viajo para algum lugar na minha imaginação, é a melhor hora para encontrar minha alma.
De noite, antes de dormir, penso em como fazer do dia de amanhã uma nova experiência, mas sempre acabo amarrado a uma ideia que nem minha é. Acabo abraçado num plano que nem eu fiz. Mas que sim, tenho que viver. Todo o dia quando acordo lamento o fato de ter que ser tudo igual. E tem que ser?
Cada frase que eu deixo de escrever hoje, sei que será o dobro amanhã. Mas, como sempre digo, o desafio é a base daquilo que sou. A inquietude permanece. O medo, por vezes, aparece. Mas das coisas que mais tenho certeza é que a cada noite, quando vou dormir, deixo viva minha alma e minha luz. Não há nada mais triste do que alguém que relute em apagar-se. E isso, pra mim, certamente não quero.
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